• Lucas Wasem

Resenha #5 | 1808

O tema da resenha desta quinzena segue contando sobre o Brasil, com o livro 1808 — Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil, escrito por Laurentino Gomes. Lançado em 2007 pela editora Planeta, o livro discorre, ao longo de 310 páginas separadas em 29 capítulos, sobre a vinda da família real portuguesa ao Brasil e o desfecho de sua história aqui, até o retorno a Portugal. Um ano após o lançamento, o livro 1808 recebeu o prêmio de melhor ensaio da Academia Brasileira de Letras e o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria de livrorreportagem.


O livro 1808, de Laurentino Gomes, em uma mesa de madeira.
O livro recebeu o prêmio de melhor ensaio da Academia Brasileira de Letras e o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria de livrorreportagem / Foto: Lucas Wasem

A fuga da família real portuguesa, escapando das mãos de Napoleão Bonaparte e furando o bloqueio continental imposto pela França, mudou a História do Brasil e do mundo. Pela primeira vez, um monarca europeu pisou em solo americano — e mais: partindo para morar por tempo indefinido na colônia, após abandonar a metrópole com o objetivo de manter a coroa da família Bragança. D. João VI, príncipe regente, zarpou do Tejo após raspar os cofres de Lisboa, levando consigo a família e uma gigantesca corte burocrática para instalar-se no Rio de Janeiro, nova capital da colônia ultramarina do Brasil.


Na chegada ao Brasil, D. João VI autorizou a abertura dos portos e a elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Porém, a chegada de 15 mil pessoas ao Rio de Janeiro, uma cidade com até então 60 mil habitantes, foi um choque para a população carioca e para a corte portuguesa. O Rio de Janeiro era uma cidade pequena, pobre e insalubre, infestada de ratos e muito diferente de Lisboa. Assim, D. João VI inicia sua história no Brasil. O livro discorre sobre a chegada, estadia e retorno de D. João VI a Portugal e todas as nuances deste episódio único de nossa história.


O autor coloca complexidade nos personagens, mostrando uma corte portuguesa muito além da forma simples e satírica normalmente retratada. D. João VI, Carlota Joaquina, Dona Maria e D. Pedro são descritos de maneira complexa, criando um laço do leitor com a história. Além disso, Laurentino entrelaça personagens secundários, que ajudam a deixar o livro mais completo.


1808 utiliza pinturas que mostram o Brasil da época, retratado principalmente pelos artistas que foram contratados pela coroa para desenhar o novo lugar que seria o lar da família real. A ideia de um Brasil selvagem, tropical e colorido começou a ser construída nesta época. Nessas pinturas, conseguimos ver a identidade social e arquitetônica, com escravos e senhores, palácios e engenhos de açúcar.


Laurentino Gomes, assim como Eduardo Bueno (resenha #4 — Brasil, Uma História), escapa da linguagem acadêmica e leva os fatos para o público geral, não muito acostumado a livros de História. A organização cronológica, separada em capítulos bem definidos, facilita a leitura e envolve o leitor, inclusive criando uma ligação com o livro, o que ajuda a seguir a trilogia criada por Laurentino.


Laurentino Gomes, paranaense de Maringá, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná. Trabalhou como repórter e editor para vários órgãos de comunicação do Brasil, incluindo o jornal O Estado de S. Paulo e a revista Veja. Como escritor, lançou 1808, 1822 e 1889, completando a trilogia sobre a monarquia brasileira. Em 2019, lançou uma nova trilogia, agora sobre a escravidão no Brasil.


Os livros 1808, 1822 e 1889 empilhados em uma mesa de madeira.
1808, 1822 e 1889: trilogia do escritor Laurentino Gomes sobre a monarquia brasileira / Foto: Lucas Wasem

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